Baiano resgatado de condições de trabalho análogas à escravidão se especializa como liderança no combate ao crime

  • 01/05/2026
(Foto: Reprodução)
Baiano ressignifica trauma após ser resgatado de condições de trabalho análogas a escravidão como liderança no combate ao crime Arquivo pessoal "No início fiquei com um pouco de receio, porque a gente vem de uma situação totalmente diferente, cheguei a duvidar", lembra Erisvaldo Alves Barbosa, de 34 anos, antes um trabalhador resgatado de condições análogas à escravidão e hoje um dos selecionados para um curso de formação de lideranças para combate a este crime. A formação é oferecida pelo Instituto Trabalho Decente (ITD), uma Organização da Sociedade Civil em Salvador. Natural da cidade de Xique-Xique, no oeste da Bahia, Erisvaldo foi submetido a condições insalubres de trabalho em uma granja no Distrito Federal, para onde havia se mudado em busca de melhores oportunidades no ano de 2024. Ao g1, ele contou que viveu em péssimas condições de moradia e que realizava tarefas insalubres manualmente, como a limpeza de dejetos das galinhas e animais mortos. Pouco tempo depois da chegada de Erisvaldo, a granja foi alvo de uma operação do Ministério do Trabalho e pelo menos 12 trabalhadores foram resgatados. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Ele foi selecionado para o curso em um período em que ainda estava muito traumatizado com a situação, mas, há cerca de três meses, passou a compor um grupo de 13 pessoas — resgatadas em diferentes regiões do país — que estudam para se tornarem lideranças no enfrentamento à "escravidão moderna". Ao lado dos colegas, ele tem superado traumas e desenvolvido habilidades para se reestabelecer na sociedade. "A gente chegou sem nenhuma perspectiva, todo mundo ali, digamos que, sem rumo. O projeto em si visa nos preparar para nos devolver à sociedade, mas devolver a gente curado". Vídeos em alta no g1 A formação, que é realizada pela internet, não tem sido apenas um caminho para ampliar a perspectiva de futuro, mas também para ressignificar a relação dele com o trabalho. "Saber que a gente tem uma importância aqui na Terra, fazendo com que os nossos direitos sejam garantidos, que é uma das coisas que a gente não sabia. A gente vê [o trabalho] só como uma obrigação que temos com a sociedade, mas a gente não enxerga nossos direitos". Entre os dias 18 e 21 de abril, Erisvaldo e os colegas de formação estiveram em Salvador para um encontro presencial. Nesse tempo, eles participaram de palestras e aulas com profissionais do Direito e outras áreas, que abordaram temas como direitos humanos, estrutura do Estado brasileiro, trabalho infantil, tráfico de pessoas e direitos trabalhistas. Além de capacitar o grupo para atuar como lideranças no combate ao crime, os trabalhadores recebem da instituição acompanhamento psicológico e uma ajuda de custo para realizar projetos pessoais, como cursos profissionalizantes. Ao todo, o curso tem 15 meses de duração e oferece assessoramento técnico e acompanhamento psicossocial aos participantes, que vão se reacostumando e se preparando aos poucos por meio de projetos pessoais e individualizados. "[A formação] Tenta te capacitar para que você venha para a sociedade, para o mercado de trabalho, qualificado, preparado. Até para que você não seja submetido a trabalhos desumanos, porque você não tem uma certa experiência", analisa Erisvaldo. Formação de resgatados de trabalho análogo à escravidão como lideranças no combate ao crime Instituto Trabalho Decente A "escravidão moderna" é uma realidade em todo o Brasil, onde mais de 2,7 mil pessoas foram resgatadas de condições de trabalho análogas à escravidão, em 2025. O resgate é apenas parte do processo para que, de fato, o trabalhador consiga se reestabelecer. Segundo Patrícia Lima, advogada e presidente do ITD, oferecer esse suporte e ajudar a reempoderar esses trabalhadores é o objetivo central da formação. Por isso, o projeto foi idealizado com base em uma percepção trazida pelos próprios resgatados: a de que eles precisavam ocupar os espaços de discussão sobre o tema. "O projeto nasce muito dessa perspectiva de as pessoas que passaram por essa experiência falarem, pautarem essa temática, liderarem as discussões nas suas comunidades e trabalharem na prevenção. A gente os chama de 'líderes especialistas'", diz. Agora um dos líderes em formação pelo projeto, Erisvaldo ressalta a importância de criar uma rede que conecte os trabalhadores à informação. Também cheio de planos pessoais, como a conclusão do Ensino Médio e a busca de uma formação técnica, o baiano tem convicção de que o investimento na educação é uma das formas de evitar que novas pessoas sejam vítimas de condições insalubres de trabalho. "Às vezes a gente acha que é encarar o trabalho cedo, pegar no pesado que vai te dar uma condição de vida digna e não é. Não é o muito se esforçar no pesado que vai te levar para frente. O estudo é essencial na vida de qualquer ser humano", defende. Formação de resgatados de trabalho análogo à escravidão como lideranças no combate ao crime Instituto Trabalho Decente LEIA MAIS: Polícia Civil pede prisão preventiva de suspeitos de matar duas amigas na Bahia; vítimas foram encontradas em cova Policial militar é preso suspeito de matar homem a tiros na Praia de Itapuã, em Salvador Advogada é presa por suspeita de mandar matar ex-companheiro e ex-cunhado em Salvador Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/05/01/resgatado-de-condicoes-de-trabalho-analogas-a-escravidao-se-especializa-como-lideranca-no-combate-ao-crime.ghtml


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